Perfis dos profissionais de TI e exigências no mercado de trabalho

Nos dias de hoje as empresas estão mais preocupadas com o perfil de desempenho geral do funcionário do que com o seu conhecimento técnico estrito na área de informática. Evidentemente, o conhecimento técnico também é fundamental para o seu trabalho, mas desde o primeiro contato com a empresa será avaliado também o seu perfil de comportamento, como um aspecto importante. Essa avaliação é realizada através de testes psicológicos, ou mesmo em entrevista com o profissional qualificado para realizar o recrutamento de novos funcionários, que normalmente pertence ao Departamento de Recursos Humanos.

Nesse processo encontram-se envolvidos alguns critérios de identificação do perfil desejável do analista de suporte, que pode ser melhorado até se chegar ao chamado “perfil ideal” para este profissional.

Existem diversas formas de observar o perfil de uma pessoa quanto ao seu desempenho profissional. A mais comum é quando esta pessoa é confrontada ou contrariada, pois é a expressão emocional das pessoas que manifesta a sua capacidade de autocontrole, e a sua empatia. Segundo Minicucci (1992:32), “empatia é compreender o comportamento de cada um, com as suas peculiaridades”. Já nas palavras de Silva (1996:104), “empatia pode ser definida como a capacidade de tentarmos perceber o mundo e as coisas da mesma forma que o outro, sem perdermos a própria identidade”. Disso se pode depreender que se deve primeiro ouvir a opinião do semelhante, mesmo que se é contra os seus princípios éticos, religiosos ou de personalidade. Depois disso, mediante a permissão do outro, poderá ser dada a nossa opinião. É muito importante saber ouvir antes de falar.

Nesse sentido, podem-se definir três tipos de perfil, conforme se observa no ambiente de trabalho. A seguir descreve cada um destes perfis de profissionais.

Profissional desorientado: É aquele que não tem o mínimo de comportamento cortês, não se preocupando com as conseqüências de suas ações. Este comportamento é o principal inimigo do bom desempenho profissional. Normalmente, este tipo de profissional gosta mais de falar do que de ouvir, achando que é sempre “o dono da razão” sobre todos os fatos e atitudes que possam ocorrem na empresa. Geralmente não respeita a opinião alheia, e sempre acha que as pessoas à sua volta devem concordar com suas atitudes e opiniões, pois considera que somente e exclusivamente a sua é correta e coerente.

Profissional orientado: É o profissional que tem o controle, total ou parcial, de suas ações, nas respostas que venham a surgir em situações de confrontos. Este perfil é o mais recomendado para as pessoas que querem obter êxito profissional. Essas pessoas ouvem mais, e quando falam, usam ponderação em suas palavras, a fim de não magoar seu companheiro de trabalho, mesmo que este tenha idéias completamente contrárias aos seus princípios.

Profissional indiferente: É o profissional que tem um controle sobre suas ações, mas não há uma reação, positiva ou negativa, ou seja, sua postura é sempre neutra, o que pode torná-lo omisso nas decisões. Esse tipo de profissional não é muito bem aceito nas empresas, pois em geral ele não apresenta iniciativas, e não acrescenta nada para o sucesso ou o progresso da empresa. Esse tipo de profissional normalmente ouve muito e fala pouco, usando mais uma linguagem de expressões, de sinais, ou seja, não se manifestando verbalmente. Pode-se chamar a este tipo de linguagem de cinésica[1], e ela não é o meio melhor de comunicação para o analista, uma vez que os usuários podem interpretar os sinais da maneira que acharem mais conveniente, mesmo que talvez não seja o que o analista está pensando ou querendo transmitir.

A partir disso, ressalto a importância do padrão de comportamento orientado, que é, na maioria das situações, o mais adequado.

Um grande aliado para um bom perfil profissional é a experiência de trabalho, tanto técnica como comportamental. Estas duas facetas estão associadas entre si. Normalmente, quando uma pessoa tem um comportamento adequado, ela possui mais facilidade no aperfeiçoamento técnico, e vice versa.

Este trabalho tem uma característica pioneira e aborda um tema tratado de modo ainda incipiente na área de tecnologia, embora esta seja a vanguarda da área de recursos humanos.

            O mercado de trabalho estabelece critérios de seleção que apontam para novas características no perfil do trabalhador. Mais do que as qualificações são necessárias as competências, ou seja, o trabalhador eficaz é aquele capaz de mobilizar seus conhecimentos (saberes), habilidades (saber – fazer) e atitudes (saber – ser) no seu cotidiano.

Nesse sentido, quero contribuir para a compreensão deste aspecto crucial do comportamento profissional, o saber-ser, ou seja, a importância da apresentação pessoal, da forma de agir no ambiente de trabalho, da manutenção das boas relações interpessoais e do resgate do aspecto humano face ao tecnicismo que hoje vigora dentro das empresas.

[1] O dicionário Houaiss, define cinésica como “parte da semiótica que estuda os movimentos e processos corporais que formam um código de comunicação extralingüística, entre os quais o enrubescimento facial, o menear de ombros, os movimentos de olhos etc.”.

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